As trombetas começaram a soar.Com um som tão forte que faz todo meu corpo vibrar e que estala no atrito entre metais da armadura que cobre o meu corpo.Não passo da sombra do que fui eras atrás.
O caminho do destino final já começou e nele eu arrasto meus decisivos passos.Passos que podem parar agora ou daqui a milênios.Mas que certamente por esse caminho não serão os mesmos.O metal de minha espada que um dia encheu de medo os corações daqueles que me enfrentaram agora cai cheio de ferrugem no solo negro infértil do meu caminho. A armadura que um dia já cintilou como o Sol,não passa de latão banhado na miscigenação do meu sangue e dos adversários caídos.
O corpo apesar de não ter sido banhado por tantas luas no tempo dos homens não impede de transparecer a exaustão das penitências e desafios da alma. Meu rosto que por tanto tempo escondi na máscara de um sorriso,agora mostra seu verdadeiro ser.As cicatrizes profundas de todas as minhas lutas.
A exaustão,a vivência implacável não me permitiu o luxo do arrependimento.Lutei quando tive de lutar,amei quando tive de amar e não fui poupado das tragédias de nenhum dos sentimentos que já viveu dentro de mim.É o preço a se pagar,quando tomamos a decisão de não deixar o mundo dobrar a sua vontade o que guardamos dentro de si.
Se já fui algo um dia,pouco importa.O que é fato é que agora não passo de um nada.Preso no caminho do feixe de luz que é esperança e simultaneamente danação.Com o amanhã feito de cinzas ao vento e o futuro escrito em tinta negra eu sigo em frente.Minha própria sombra queimada pelo destino que me assola acaba me assustando e traços do passado/presente e futuro estão presos em um único rubi de decepção.
Não há porque parar,não há porque voltar,não há porque desabar em lágrimas que queimam como chamas por estarem por muito tempo presas dentro de mim.Que minhas palavras não sejam confundidas com súplicas de lamentação pois pago o preço que a vida impõe sem me importar se fui digno disso.
E que a vida abra fogo contra mim,não tenho medo das feridas pois já me acostumei com a dor.Cedo ou tarde o meu fim vai chegar.Se as lanças se posicionarem na minha frente,vou atravessá-las com minha carne e ossos sem pena porque a morte não segura aqueles que tem propósito.
Cada passo é um mais próximo do fim,aceitar a condição de mortal é entender isso e persistir com a esperança que é a chama que arde dentro de mim mesmo que tudo o que resta já não viva mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário