As botas rangem nas passadas decididas no chão duro.A lua cheia olha pra mim com desprezo e ao mesmo tempo curiosidade do meu rumo. O prateado dos revólveres cintilam na aparência mortal que serve de defesa mas que nunca machucaram aqueles que não me machucaram primeiro.
Minha garganta seca fica inquieta debaixo da barba rala que já precisa ser feita,apesar de não ser o que incomoda.Aquilo que me atormenta está profundamente guardado e selado na face esquelética do imparcial fantasma do passado.
Balas podem matar,mas a morte é o caminho fácil e é seguido a força pelo coração pistoleiro.O problema são as dores causadas piores do que a morte.Dores são curadas com o tempo,mas o tempo também endurece as expressões da sua face.O corte,o arranhão logo não sangram e logo não doem mais. As cicatrizes permanecem,marcas estáticas e silenciosas de tempos passados e que contam sua história até o fim da minha existência.
Por mais doloroso que seja,ainda sim é o caminho.Curar os ferimentos deixa mais forte,mais preparado.Cicatrizes que poucos podem ver por suas profundidades e que mesmo assim me fazem andar com o olhar vazio e coração apertado na busca por algo melhor com passadas firmes e sob céu e lua incansável.
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